Você sabe quanto custa sua maternidade?

Saber quanto um parto é remunerado não significa conhecer o custo de manter uma maternidade preparada para a complexidade materno-infantil.

 

Depois de aproximadamente 45 anos de funcionamento e cerca de 200 mil nascimentos, a Santa Casa de Mogi das Cruzes está concluindo um ciclo histórico: a assistência materno-infantil será transferida para uma nova unidade municipal.

 

A mudança não foi apresentada como uma decisão financeira. Mas os números ajudam a dimensionar a operação.

 

Nos últimos anos, eram realizados, em média, 350 partos por mês, mais de 85% pelo SUS. O complexo materno-infantil chegou a reunir 55 leitos de enfermaria, 26 leitos de UTI Neonatal e aproximadamente 250 profissionais envolvidos na assistência.

 

Diante de uma estrutura como essa, surge uma questão estratégica: Você sabe quanto custa sua maternidade?

 

Não quanto custa o parto. Quanto custa manter a maternidade preparada para realizar um parto com segurança, e responder quando a assistência exige maior complexidade.

 

No SUS, a remuneração hospitalar segue regras e valores definidos no âmbito do SIGTAP e da produção registrada. Nos contratos com operadoras, depende das condições negociadas por cada instituição. Mas remuneração e custo assistencial são informações diferentes. Uma maternidade exige disponibilidade contínua de obstetrícia, anestesia, enfermagem, pediatria, neonatologia, Farmácia, centro obstétrico, medicamentos, materiais, equipamentos e retaguarda para intercorrências. E existe uma característica que torna essa operação particularmente sensível: a necessidade assistencial pode mudar em minutos.

 

Um parto inicialmente sem intercorrências pode evoluir para uma cesariana de emergência. Um recém-nascido pode precisar de reanimação ou suporte neonatal intensivo. Quando isso acontece, a resposta precisa estar disponível.

A maternidade não custa apenas quando o parto acontece. Ela custa para estar preparada para o inesperado.

 

Essa lógica também alcança a Farmácia. Medicamentos de alta criticidade, materiais para emergências, estoques dimensionados para intercorrências e barreiras de segurança precisam estar disponíveis mesmo quando apresentam baixa frequência de utilização. Baixo consumo não significa baixa importância. Mas criticidade também não justifica estoque excessivo, perdas por validade, baixa padronização ou ausência de controle. É nesse ponto que segurança e eficiência precisam ser analisadas juntas.

 

Produção assistencial, faturamento, custo e capacidade instalada mostram dimensões diferentes da operação. Isoladamente, nenhuma delas oferece informação suficiente para uma decisão estratégica.

 

Conhecer o custo da maternidade hospitalar exige relacionar perfil de complexidade, equipes especializadas, consumo de medicamentos e materiais, estoques críticos, desperdícios e remuneração por fonte pagadora.

 

Essa leitura permite separar três elementos que não deveriam estar misturados nos números: o custo necessário para sustentar a assistência, a ineficiência que pode ser eliminada e o investimento indispensável à segurança.

 

Eficiência não significa simplesmente reduzir estrutura. Na assistência materno-infantil, retirar um recurso sem compreender sua criticidade pode transformar uma economia aparente em exposição assistencial, jurídica, financeira e reputacional. Um erro pode ser fatal.

 

Antes de ampliar, reduzir, renegociar ou redesenhar uma maternidade, é preciso identificar o que realmente pressiona o resultado e onde existe espaço para eficiência sem aumentar o risco assistencial. Essa é uma discussão de sustentabilidade e governança.

 

Conhecer quanto a maternidade custa é apenas o primeiro nível da análise. Para decidir com segurança, é preciso compreender por que custa, onde estão as distorções e quais recursos são indispensáveis à assistência.

 

Decisões financeiras mais seguras começam quando custo, eficiência e risco deixam de ser tratados como a mesma coisa.

 

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Dara Silva

CRF 89605

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