Em muitos hospitais, o gestor acompanha o orçamento com rigor — e ainda assim não consegue explicar por que os custos farmacêuticos continuam crescendo.
O problema raramente está nos números visíveis. Está no que os números não mostram.
Perdas por vencimento, compras emergenciais, erros de medicação, retrabalho operacional — isoladamente, parecem residuais. Somados ao longo do tempo, comprometem resultado, segurança e competitividade institucional.
A literatura internacional estima que entre 10% e 15% do orçamento destinado a medicamentos pode ser impactado por ineficiências operacionais evitáveis em sistemas sem controle estruturado. Perdas por vencimento, especificamente, podem atingir até 5% do orçamento farmacêutico anual.
Esses não são problemas de falta de recurso. São problemas de falta de estrutura.
Medicamento vencido não é apenas perda operacional. É recurso financeiro que nunca gerou valor assistencial.
A ausência de critérios técnicos de ressuprimento e a desconexão entre consumo real e planejamento produzem estoques desbalanceados, capital imobilizado e descarte recorrente. O ciclo se repete porque a causa não é tratada — apenas o efeito é contabilizado.
Quando não há padronização terapêutica, a urgência substitui o planejamento.
Compras emergenciais reduzem poder de negociação, elevam o custo unitário e comprometem a previsibilidade orçamentária. Esse padrão não é exceção em operações sem governança estruturada — é regra.
Sem controle ao longo do ciclo do medicamento, a instituição perde capacidade de resposta. A investigação de eventos adversos fica prejudicada, a conformidade regulatória é comprometida e os riscos clínicos, jurídicos e financeiros se acumulam silenciosamente.
Erros de medicação seguem entre as principais causas evitáveis de dano nos sistemas de saúde — com impacto direto no custo assistencial: internações prolongadas, aumento do custo por paciente e risco de judicialização.
Instituições maduras não tratam esses eventos como falhas individuais. Tratam como falhas de processo — porque é o que são.
Quando a operação não tem estrutura, profissionais qualificados são consumidos por atividades corretivas e reativas. O resultado é menor atuação clínica, menor geração de valor e perda do impacto estratégico que a farmácia poderia ter.
A questão não é capacidade técnica. É ausência de um modelo que permita essa capacidade ser aplicada.
Eles não são independentes. Coexistem e se reforçam em ambientes onde decisões são reativas, processos não são padronizados e riscos não são priorizados.
O custo invisível não é consequência do acaso. É consequência de um modelo de gestão que ainda não foi estruturado.
Organizações que estruturam a governança farmacêutica — com protocolos, indicadores e controle integrado do ciclo do medicamento — conseguem reduzir perdas de forma consistente, aumentar a segurança do paciente e melhorar o desempenho institucional.
Sob a perspectiva da alta gestão, a farmácia hospitalar deixa de ser um centro de custo operacional e passa a ser um eixo estratégico de controle de risco e proteção do resultado econômico.
A diferença entre perda invisível e geração consistente de valor não está no orçamento disponível. Está no nível de maturidade da gestão — e na disposição de estruturá-la antes que o custo invisível se torne incontrolável.
Na sua instituição, a farmácia é tratada como centro de custo ou como eixo de controle de risco? Qual é o maior obstáculo para mudar isso?
World Health Organization. Medication Without Harm: Global Patient Safety Challenge. Geneva: WHO; 2017.
American Society of Health-System Pharmacists. Guidelines on Medication-Use Systems and Pharmacist Practice. 2023.
Organisation for Economic Co-operation and Development. Health at a Glance 2023. Paris: OECD; 2023.
IBGH. Relatório sobre perdas financeiras relacionadas ao vencimento de medicamentos em hospitais. 2023.
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