A gestão de materiais consignados é amplamente adotada em instituições hospitalares como estratégia para redução de capital imobilizado e aumento da flexibilidade operacional. No entanto, essa abordagem, quando analisada isoladamente, induz a uma interpretação incompleta do problema.
A literatura científica demonstra que o modelo de fornecimento não é, por si só, determinante para eficiência. O desempenho institucional está diretamente relacionado à maturidade da cadeia logística, à qualidade dos dados e à capacidade de rastreabilidade dos insumos utilizados (Riewpaiboon et al., 2015; Tsang et al., 2018).
Esse ponto torna-se ainda mais crítico quando analisado no contexto de órteses, próteses e materiais especiais (OPM) — grupo que concentra alto valor agregado, elevada variabilidade de consumo e forte impacto regulatório.
O problema, portanto, não está no consignado, está na incapacidade institucional de controlar, rastrear e converter consumo em resultado.
Os materiais OPM concentram uma das maiores complexidades da cadeia de suprimentos hospitalar, devido ao alto valor agregado, à exigência de rastreabilidade individualizada e à vinculação direta ao procedimento assistencial.
Diretrizes da ANVISA estabelecem a rastreabilidade como requisito crítico de segurança e conformidade. Nesse contexto, a literatura demonstra que falhas na gestão desses insumos estão diretamente associadas a perdas financeiras, inconsistências documentais e risco assistencial (Bendavid et al., 2012; Chan et al., 2012).
O impacto é transversal:
Em OPM, a falha logística não é operacional. É estrutural e financeiramente sensível.
A eficiência da gestão de materiais consignados depende da robustez da cadeia logística.
Estudos demonstram que práticas estruturadas de supply chain em ambientes hospitalares estão associadas à redução de custos e melhoria de desempenho assistencial.
Intervenções baseadas em Lean Six Sigma reforçam esse achado, com redução significativa de desperdícios e melhoria de indicadores operacionais (O’Mahony et al., 2021).
No entanto, esses resultados só são sustentáveis quando três elementos estão presentes:
Falhas nesse processo geram:
Kabera & Mukanyangezi (2024) demonstram que essas falhas estão diretamente associadas à indisponibilidade de materiais e à redução da eficiência assistencial.
Modelos como Just-in-Time e consignação só funcionam em ambientes com alta confiabilidade operacional.
Em cenários de baixa maturidade logística: Amplificam o problema.
Balkhi et al. (2022) demonstram que a ausência de integração e controle aumenta o risco de inconsistências e falhas operacionais.
O consignado não resolve ineficiência.
Ele exige maturidade para não ampliá-la.
A capacidade de converter consumo em faturamento é diretamente dependente da qualidade da cadeia de suprimentos.
No contexto de OPM e materiais consignados, essa dependência é absoluta.
O faturamento exige:
Quando há falha:
Mas, nenhuma dessas ações resolve a causa raiz. O problema não é o sistema. É a ausência de leitura estruturada da operação.
As evidências são consistentes: a eficiência na gestão de materiais consignados, especialmente no contexto de OPM, não está condicionada ao modelo de fornecimento, mas à maturidade estrutural da operação.
Quando a cadeia logística não é sustentada por rastreabilidade efetiva, qualidade de dados e integração entre processos, o impacto ultrapassa a dimensão operacional. O estoque perde confiabilidade, o consumo perde rastreabilidade e o faturamento deixa de refletir a realidade assistencial.
Nesse cenário, o hospital passa a operar com risco estrutural invisível — comprometendo resultado financeiro, segurança do paciente e capacidade de governança.
O ponto crítico é que a maioria das instituições já reconhece esses sintomas, mas ainda atua sobre eles de forma fragmentada, sem uma leitura estruturada da operação.
E é exatamente aqui que reside o principal erro de gestão:
tentar corrigir processos sem, antes, compreender com precisão onde estão os gargalos, qual o impacto real e o que deve ser priorizado.
A assistência farmacêutica, quando analisada de forma isolada, permanece operacional.
Quando estruturada com método, dados e critério técnico, passa a atuar como eixo de governança institucional — conectando logística, prática clínica e resultado financeiro.
É nesse espaço que a PharmaInova atua.
Não como executora de ajustes pontuais, mas como estruturadora de leitura estratégica da operação.
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