O risco que ninguém está monitorando é o mais perigoso

O que a suspensão da vacina do Butantan revela sobre governança nas instituições de saúde

O caso da vacina do Butantan revela uma verdade que muitas instituições de saúde ainda ignoram sobre governança. Quando um risco é identificado antes de gerar dano, isso não é falha do sistema. É o sistema funcionando.

 

A suspensão temporária da estratégia de vacinação com a Butantan-DV gerou dúvidas e preocupações. Compreensível. Mas para gestores e líderes assistenciais, a discussão mais importante não está na vacina.

 

Está na capacidade do sistema de identificar um possível sinal de risco e agir antes de uma conclusão definitiva.

 

Esse é o papel da farmacovigilância. E, em essência, esse também é o papel da governança.

 

Após a identificação de eventos adversos graves em investigação, o Ministério da Saúde interrompeu temporariamente a estratégia enquanto os dados são analisados por especialistas.

 

Vale lembrar: evento adverso não significa, necessariamente, relação causal. Por isso existe a investigação. Por isso existe a vigilância.

 

A suspensão não condena o produto. Demonstra que existem mecanismos capazes de detectar sinais e tomar decisões preventivas. Sistemas maduros funcionam exatamente assim.

O erro mais comum quando falamos de segurança é acreditar que maturidade significa ausência de problemas. Não significa.

 

Instituições de saúde operam em ambientes complexos, sujeitos a variáveis clínicas, assistenciais e operacionais que estudos clínicos não conseguem prever integralmente.

A diferença está na capacidade de identificar riscos antes que virem danos.

 

O risco mais perigoso não é o que aparece nos relatórios. É o que ninguém está monitorando.

 

Essa lição vai muito além das vacinas.

 

Dentro das instituições, desperdícios, falhas de processo e eventos adversos raramente surgem de forma repentina. Na maioria das vezes, eles deixam sinais.

 

O problema é que nem sempre existem mecanismos capazes de enxergá-los.

 

Quando isso acontece, a organização descobre os problemas apenas depois que já geraram impacto — assistencial, financeiro, regulatório ou reputacional.

 

É por isso que segurança do paciente não depende apenas de protocolos. Depende de monitoramento, análise crítica e capacidade de resposta.

 

Nesse contexto, a Farmácia ocupa uma posição estratégica.

Por estar conectada ao uso de medicamentos, a indicadores assistenciais e a processos críticos da instituição, ela tem uma visão privilegiada para identificar riscos, desperdícios e oportunidades de melhoria, antes que se tornem problemas.

 

A pergunta que esse artigo deixa para os gestores não é se a vacina é segura ou não.

 

A pergunta é:

 

Quais riscos existem hoje na sua instituição que ainda não estão sendo monitorados?

 

Porque nenhum sistema falha quando o problema aparece. Ele falha quando deixa de enxergar os sinais.

 

Em saúde, antecipar riscos não é vantagem competitiva. É o mínimo necessário para garantir segurança, sustentabilidade e confiança institucional.

Picture of Dara Silva

Dara Silva

CRF 89605

LinkedIn

ENTENDA COMO ALAVANCAR A SUA INSTITUIÇÃO

Fale com um de nossos consultores!