Um paciente internado em UTI desenvolve uma infecção por bactéria multirresistente. A partir desse evento, o impacto pode ultrapassar a escolha do antimicrobiano: maior complexidade terapêutica, exames adicionais, prolongamento da permanência e maior utilização de recursos assistenciais.
Dados divulgados pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), a partir do projeto Impacto MR, apontam que os gastos com pacientes em UTI, nos cenários analisados, podem chegar a ser 3,6 vezes maiores.
O número chama atenção pela dimensão econômica. Mas também evidencia uma questão relevante para a gestão: a resistência antimicrobiana em hospitais não produz apenas consequências clínicas. Seus efeitos alcançam a segurança do paciente, a capacidade operacional e a sustentabilidade financeira da instituição.
A resistência antimicrobiana exige estratégias estruturadas de prevenção e controle de infecções, vigilância microbiológica e gerenciamento do uso de antimicrobianos.
Sob a perspectiva da gestão hospitalar, porém, existe uma dimensão que nem sempre aparece com a mesma clareza: o impacto econômico não está apenas no medicamento.
Por isso, analisar apenas o preço ou o consumo de antimicrobianos oferece uma visão parcial. A compreensão do impacto exige uma leitura que relacione assistência, utilização de recursos e resultado.
As informações necessárias para compreender esse impacto normalmente já estão distribuídas pela instituição.
A Farmácia acompanha consumo e utilização de medicamentos. A microbiologia identifica agentes e perfis de sensibilidade. O controle de infecção monitora eventos epidemiológicos. A assistência observa a evolução clínica. O financeiro conhece os custos.
Cada área possui uma parte relevante da informação. O desafio está em transformar essas partes em uma leitura institucional.
Quando isso não acontece, o hospital pode possuir uma quantidade significativa de dados e, ainda assim, ter dificuldade para compreender a dimensão clínica, operacional e econômica do problema.
Ter dados não significa ter visibilidade para decidir.
Essa diferença também aparece em outros pontos da gestão. Protocolos podem existir com baixa adesão. Indicadores podem ser acompanhados sem provocar intervenção. Dados microbiológicos podem permanecer desconectados do padrão de consumo. Intervenções Farmacêuticas podem produzir benefícios sem que seu impacto seja demonstrado institucionalmente.
Os 3,6 vezes são relevantes porque traduzem um problema clínico em dimensão econômica.
Mas cada instituição possui seu próprio perfil epidemiológico, assistencial e operacional. Referências externas ajudam a compreender a magnitude do problema, mas não substituem a leitura da realidade de cada hospital. E essa reflexão ultrapassa a resistência antimicrobiana.
Perdas não identificadas, estoques desequilibrados, baixa rastreabilidade, protocolos com baixa adesão e riscos assistenciais pouco dimensionados podem permanecer restritos à rotina operacional, sem uma tradução clara para a liderança.
Isoladamente, parecem questões técnicas. Em conjunto, podem representar impactos assistenciais, financeiros, regulatórios e reputacionais.
Em instituições complexas, essa diferença influencia diretamente a definição de prioridades. Sem uma visão estruturada da operação, existe o risco de direcionar pessoas, tempo e recursos para o problema mais visível, e não necessariamente para aquele de maior impacto.
A resistência antimicrobiana evidencia essa questão ao mostrar como um evento clínico pode repercutir sobre diferentes dimensões da instituição e, ainda assim, permanecer fragmentado entre áreas, indicadores e sistemas.
Governança começa quando aquilo que acontece na operação se torna visível, mensurável e relevante para quem decide.
Por isso, no fim, o dado mais importante talvez não seja o 3,6. É aquele que a operação já revela, mas a gestão ainda não consegue dimensionar.
É nesse contexto de visibilidade e diagnóstico que se insere o Prisma, da PharmaInova: uma abordagem estruturada para identificar riscos, ineficiências e oportunidades na assistência farmacêutica e ampliar a clareza sobre a realidade da operação.
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