Por que o mesmo item aparece com códigos diferentes entre setores do hospital, e o que isso custa na comparação de preços

Um mesmo material pode aparecer com códigos distintos na Farmácia, no Almoxarifado e no Centro Cirúrgico. Embora cada registro possa estar correto isoladamente, a ausência de correspondência entre eles fragmenta a visão do que o hospital compra e de quanto paga.

O problema não está necessariamente na existência de códigos diferentes, mas na dificuldade de reconhecer produtos equivalentes. Essa inconsistência reduz a confiabilidade das informações utilizadas para comparar preços, consolidar volumes e avaliar contratos.

 

Por que isso acontece?

Cadastros criados de forma descentralizada, descrições internas, referências de fornecedores, mudanças contratuais e registros históricos podem gerar identificações distintas para um mesmo material.

Alterações de embalagem e unidade de medida também contribuem para esse cenário. Nem toda diferença representa duplicidade: produtos com apresentações ou especificações distintas podem exigir registros próprios. O risco surge quando itens equivalentes não são reconhecidos como tal ou quando produtos diferentes são comparados indevidamente.

 

O impacto na gestão de compras

Quando o volume de um mesmo material está distribuído entre códigos diferentes, os relatórios podem apresentar gastos parciais. A instituição perde visibilidade sobre o consumo consolidado e sobre diferenças de preço relevantes para a negociação.

A comparação também se torna menos confiável quando embalagens, unidades de medida ou especificações não são equivalentes. O menor preço apresentado não é necessariamente o menor custo efetivo.

Entre diferentes setores, a fragmentação pode ocultar diferenças comerciais e dificultar a avaliação dos contratos. Além disso, Compras, Farmácia e Gestão Financeira precisam dedicar tempo à conciliação de informações, gerando retrabalho e reduzindo a capacidade de análise.

 

O impacto além da compra

A inconsistência pode repercutir no faturamento quando não existe correspondência adequada entre a identificação do material adquirido, seu registro interno e as informações exigidas pela operadora. Conforme as regras contratuais, divergências podem gerar questionamentos, glosas ou retrabalho de conferência.

No campo assistencial, códigos distintos não representam, por si só, risco ao paciente. Entretanto, falhas que comprometam a identificação correta de produtos, apresentações ou lotes podem fragilizar a rastreabilidade.

O que começa como uma diferença de cadastro pode, portanto, afetar diferentes pontos da operação.

 

O custo que permanece fora dos relatórios

O ponto central é a confiabilidade da visão consolidada. Quando os dados estão fragmentados, a instituição pode enxergar partes do gasto sem conseguir identificar, com precisão, onde estão as diferenças de preço que realmente importam.

Os relatórios podem estar corretos individualmente e, ainda assim, não revelar que materiais equivalentes estão sendo adquiridos por condições diferentes, que volumes estão dispersos entre códigos ou que oportunidades de negociação permanecem ocultas.

Quanto das diferenças de preço permanece invisível porque o mesmo material está fragmentado entre códigos diferentes, e quanto isso pode estar custando à sua instituição?

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Dara Silva

CRF 89605

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