O desperdício de medicamentos voltou ao centro da discussão sobre eficiência na saúde pública. O Projeto de Lei 1677/2026, em análise na Câmara dos Deputados, propõe a criação do Programa de Eficiência e Combate ao Desperdício de Medicamentos, Insumos e Exames no Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as medidas previstas estão o controle informatizado de estoques, o monitoramento de prazos de validade e o rastreamento da dispensação de medicamentos. A proposta também considera como desperdício medicamentos vencidos ou inutilizados por falhas de planejamento, armazenamento ou distribuição.
Mais do que uma discussão sobre perdas, o tema chama atenção para uma questão estratégica: quanto a falta de visibilidade sobre estoques, consumo e desperdícios pode estar custando às instituições de saúde?
Medicamentos vencidos, estoques acima da necessidade, compras desalinhadas ao consumo e falhas na distribuição podem gerar custos evitáveis e comprometer o uso eficiente dos recursos disponíveis.
Para a gestão hospitalar, portanto, olhar apenas para o valor das compras não é suficiente. É necessário compreender todo o fluxo do medicamento e reconhecer os pontos em que recursos deixam de ser utilizados de forma eficiente.
Isso exige indicadores, rastreabilidade e capacidade de transformar dados em decisões.
Antes de definir qualquer ação, é preciso transformar os dados disponíveis em uma visão estruturada sobre onde estão os desvios, o que os provoca e quanto representam financeiramente para a instituição.
A partir dessa leitura, torna-se possível reconhecer pontos críticos, diferenciar situações pontuais de ineficiências recorrentes e estabelecer prioridades com critérios mais objetivos.
É essa visibilidade que transforma o controle de estoque em uma discussão de governança. Em vez de atuar somente depois que a perda ocorre, a instituição passa a antecipar riscos e direcionar esforços para os pontos de maior relevância.
Na prática, mapear antes de executar reduz decisões baseadas apenas em percepção e permite concentrar esforços nos pontos de maior impacto assistencial e financeiro.
Se a eficiência é uma prioridade para a sua instituição, você sabe quanto o desperdício de medicamentos representa hoje?
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