Impactos da Gestão Farmacêutica na Eficiência, Segurança e Sustentabilidade Hospitalar

A gestão farmacêutica hospitalar deixou de configurar-se apenas como um suporte operacional, passando a ser reconhecida como eixo estratégico na assistência em saúde. Quando estruturada de forma adequada, promove resultados concretos que impactam diretamente a segurança do paciente, a eficiência assistencial e a sustentabilidade financeira das instituições de saúde.

 

1. Redução de Custos Operacionais

A implementação de uma gestão farmacêutica qualificada possibilita significativa otimização de recursos.

  • controle de estoques mediante ferramentas como curvas ABC e classificação XYZ contribui para a prevenção de desperdícios e rupturas (SANTOS et al., 2022).

  • padronização de compras e o uso racional de medicamentos reduzem aquisições fora de protocolo, as quais podem elevar os custos em até 18% (ASHP, 2018).

  • negociação estruturada com fornecedores, aliada ao monitoramento de prazos de validade, reduz perdas financeiras por vencimentos e devoluções (WOLTERS KLUWER, 2021).

Estudos demonstram que hospitais com gestão farmacêutica estruturada obtêm reduções de 12% a 20% em seus custos relacionados a medicamentos e materiais (ASHP, 2018; WOLTERS KLUWER, 2021).

 

2. Melhoria na Segurança do Paciente

A farmácia hospitalar exerce papel central na mitigação de riscos assistenciais.

  • conciliação medicamentosa evita erros de dose e interações indesejadas.

  • acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes críticos assegura maior adesão a protocolos e monitoramento de terapias de alto risco (ROCHA, 2025).

  • incorporação de tecnologias, como sistemas de rastreabilidade e dispensação automatizada, reduz a incidência de falhas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 1 em cada 10 pacientes hospitalizados sofre algum evento adverso relacionado a medicamentos (WHO, 2017). Ademais, a implementação da prescrição eletrônica (CPOE) reduz erros em até 80% (BATES et al., 2006), enquanto o uso de tecnologia de código de barras pode diminuir erros de administração em 82% (POON et al., 2010).

 

3. Eficiência Operacional e Fluxos Assistenciais

A estruturação de processos farmacêuticos promove maior eficiência e agilidade no cuidado.

  • automação integrada ao prontuário eletrônico reduz o tempo de dispensação e aumenta a rastreabilidade.

  • A adoção de protocolos clínicos institucionais diminui variações indesejadas na prática clínica, favorecendo a padronização terapêutica (TAVARES et al., 2018).

  • O monitoramento de indicadores de desempenho permite a tomada de decisões baseada em dados objetivos e mensuráveis (AHRQ, 2023).

 

4. Contribuição para Acreditações Hospitalares

Hospitais que buscam certificações como ONA, JCI ou QMentum necessitam de uma farmácia clínica estruturada e alinhada a padrões de excelência.

  • A gestão farmacêutica garante o cumprimento de requisitos regulatórios e a preparação para auditorias.

  • A utilização de evidências científicas fortalece a cultura de segurança e a tomada de decisão (ESTEVÃO et al., 2021).

  • A geração de relatórios clínicos e econômicos possibilita a demonstração de resultados concretos em qualidade e segurança assistencial.

 

5. Valorização do Corpo Clínico e Engajamento Multiprofissional

A atuação farmacêutica transcende a logística, alcançando protagonismo clínico.

participação em rounds multiprofissionais contribui para decisões terapêuticas assertivas (ROCHA, 2025).

capacitação contínua das equipes assistenciais dissemina boas práticas e promove corresponsabilidade no cuidado.

A presença ativa do farmacêutico reforça o engajamento multiprofissional, essencial para a melhoria contínua da assistência.

Conclusão

A gestão farmacêutica hospitalar deve ser compreendida como um investimento estratégico para a instituição. Seu impacto ultrapassa a redução de custos, abrangendo a segurança do paciente, a eficiência operacional e o fortalecimento institucional, além de contribuir decisivamente para o alcance da excelência assistencial.

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Referências

  • AMERICAN SOCIETY OF HEALTH-SYSTEM PHARMACISTS (ASHP). Medication-cost management strategies in hospitals and health systems. Am J Health-Syst Pharm, 2018.

  • AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY (AHRQ). Patient Safety Project Highlights – Medication Safety. Rockville: AHRQ, 2023.

  • BATES, D. W. et al. Effect of computerized physician order entry on prevention of serious medication errors. JAMA, v. 280, n. 15, p. 1311-1316, 2006.

  • ESTEVÃO, L.; MARTINS, A.; OLIVEIRA, P. Gestão e acreditação da farmácia hospitalar. ResearchGate, 2021.

  • ORGANIZAÇÃO NACIONAL DE ACREDITAÇÃO (ONA). Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar. São Paulo, 2022.

  • POON, E. G. et al. Effect of bar-code technology on the safety of medication administration. New England Journal of Medicine, v. 362, n. 18, p. 1698-1707, 2010.

  • ROCHA, G. O. A farmácia hospitalar e a gestão de medicamentos em pacientes crônicos. Contribuciones a Las Ciencias Sociales, v. 18, n. 3, p. 1-14, 2025.

  • SANTOS, C. M.; PEREIRA, J. R.; OLIVEIRA, A. B. Gestão de estoques hospitalares: impacto econômico e assistencial. Revista Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde, v. 13, n. 1, 2022.

  • TAVARES, A. C.; SOUZA, R.; MENEZES, F. Avaliação de serviços farmacêuticos hospitalares: revisão integrativa. Revista Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde, v. 9, n. 2, 2018.

  • WOLTERS KLUWER. How hospitals leverage pharmacy teams to reduce costs and improve clinical outcomes. 2021.

  • WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Medication Without Harm – Global Patient Safety Challenge. Geneva: WHO, 2017.

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